La Luna Cia de Teatro: 'Circo de Los Pies'
- Marília Mattos

- 30 de ago. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 16 de jan. de 2025
Texto publicado originalmente em 30/08/2024 no Instagram da @manola14.
La Luna Cia de Teatro: 'Circo de Los Pies' no teatro do Sesc Ipiranga, 30/08, às 20h - Palco Giratório
O espetáculo começa com uma atriz, de figurino, na função de interprete e uma voz no off. Eles trazem instruções básicas sobre como o público deve e pode se portar, e contam que o espetáculo conta com acessibilidade estética. Tem esta artista, intérprete de libras, e audiodescrição incorporada através da voz em off e outra artista que se apresenta como Palhaça Asmeline.
Elas se conversam e vão nos introduzindo a esta forma de fazer circo e teatro, que enquanto falam entre si, contam para a gente sobre o tanto que a gente não repara. Descrevem o cenário, suas roupas, suas características físicas, e demonstram também suas personalidades, que logo de cara, vai nos apaixonando por Asmeline. Ela, as vezes tímida e as vezes muito desinibida, vai deixando nosso riso frouxo com sua fofura e humanidade.
E assim se anuncia que vai começar - ué, parecia até que já tinha começado - e se apresenta com toda pompa o objeto principal do espetáculo: seus pés. São descritos em suas formas, e também em suas personalidades, o que logo desloca nossa primeira percepção, trazendo no pezão as características menos atraentes, e no pezinho todo o glamour. E faz com tal habilidade que logo estamos rindo da gente mesmo sobre o quanto aquilo tudo estava ali o tempo todo e a gente não percebeu.
Muito bem, se iniciam as demonstrações técnicas - na verdade até aqui tudo foi extremamente técnico, mas a gente tem uma certa mania no circo de confundir técnica e habilidades. Pois bem, começa uma virtuose de personagens em diálogo: Asmeline, Pezão e Pezinho, que nos envolviam como se fossem de fato, três pessoas diferentes ali, tamanho o domínio do jogo e da variação de brincadeiras e personalidade de cada um.
Dali em diante foi um deleite de gargalhar, se emocionar, seja com a música, seja com as escolhas dessas brincadeiras, e a gente vai ficando muito íntimo e amigo desses personagens, e começa a torcer intimamente que o espetáculo não acabe. O espetáculo evolui, e Asmeline constrói um caminho para, ainda na mesma provocação de nossas primeiras impressões, dançar e voar com a gente - público - e as luzes. Ali ela também tomba, em seu percurso que faz desvio. E se levanta de novo e se dá conta: claro que ela não vai andar "direito". Afinal... ela é palhaça!
E nesse momento em diante, ela vai derretendo o nosso coração de ternura, e querendo dançar e rir com essa palhaça danada e doce.
Obrigada La Luna Cia de Teatro. O espetáculo é arte, é aula, e é também um abraço.
Obs: me esforcei para que tivesse menos spoilers possíveis. Vão assistir essa beleza!





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